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terça-feira, 15 de março de 2011

Alucinações.



Deitada no sofá da sala, cansada, estava eu assistindo televisão, apertava o botão do controle constantemente para mudar de canal na esperança de encontrar alguma coisa útil, entre tantos canais de uma tv acabo, um programa que me chamasse à atenção.
A casa estava em completo silencio, todos já estavam dormindo, dava para se ouvir o barulho da chuva tocando o chão ecoando. Já não dava mais para ouvir com tanta frequência os carros passando na rua. Desistindo então de encontrar algo na televisão, decido ir para o meu quarto, onde minha cama já me esperava pronta, para eu me deitar e esperar o sono chegar. Abro o meu guarda-roupa e pego meu pijama para me vestir. Finalmente me deito, sentindo o travesseiro afundar e o cobertor assentar-se sobre meu corpo, esperando a claridade do meu celular apagar para então eu fechar os olhos.
Mas eu ainda estava sem sono, e mesmo com o barulho da chuva que estava em harmonia com o som do vento que tocava nas arvores montando uma melodia tranquila que levaria qualquer pessoa a dormir rapidamente, não tinha o efeito sobre mim, não naquela noite. Abri meus olhos lentamente para assistir a dança do coqueiro que refletia da luz da rua entre os vãos da minha janela que estava fechada.
Comecei então a ouvir passos, lentos, um após o outro, meu coração apertou, sentia minha pele se arrepiando, e aqueles suaves passos pareciam entrar no meu quarto, imediatamente fechei os olhos, foi então que minha imaginação tomou conta de mim, e nessa hora não são as melhores coisas que se passam na minha cabeça. Os passos seguiam na direção do guarda-roupa da minha irmã, que não estava dormindo em sua cama, pensei então na possibilidade de ser ela para pegar alguma coisa que seja, tentando inutilmente me acalmar, então a porta do guarda-roupa dela se abriu um trecho, o suficiente para fazer um eco nada agradável, e se fechou, abriu e se fechou novamente, repetindo por algumas vezes na mesma frequência, percebi que não era minha irmã, puxei então o cobertor para cobrir meu rosto, minha respiração já estava falha, meus pensamentos já eram os piores. Mas a curiosidade foi maior, pois eu sentia uma respiração ofegante perto de mim, tirei metade do cobertor do meu rosto e tentei olhar o que era. O quarto parecia mais escuro que antes, e uma silhueta de um corpo era o que aparecia na minha frente, cara a cara comigo. Foi então que esqueci por alguns segundos o que era respirar, o medo já havia tomado conta do meu corpo, não estava somente arrepiada, mas também meu corpo tremia de uma forma descontrolada, meus olhos estavam cheios de lágrimas, o grito estava preso em minha garganta, o que eu ia fazer? Puxei o cobertor mais uma vez para cobrir meu rosto, e, é incrível como as piores imagens aparecem na minha mente, eu via gente morta, eu via cemitérios, eu via gente pedindo socorro. Comecei a ouvir os passos se afastando, a respiração ofegante que eu escutava ficava mais longe, olhei mais uma vez, para ter certeza que estava indo embora, a silhueta estava em frente ao meu espelho que tenho do lado da porta de frente com minha cama, não dava para entender o que ela fazia, apenas estava em frente ao espelho. Foi então que o desespero substituiu o medo, e minha única reação foi de sair do quarto acendendo todas as luzes da casa, o mais rápido possível.
O pior era ver tudo do mesmo jeito que deixei antes de deitar, o controle remoto na mesinha de centro da sala, a almofada no meio do sofá, tinha certeza que por ali ninguém tinha passado depois que apaguei as luzes da sala, meus pais ainda estavam dormindo, e meu quarto? Estava vazio, o guarda-roupa estava com a porta aberta e meu espelho estava se mexendo, como se um vento forte tivesse entrado em meu quarto e balançou tudo.
Mesmo demorando a dormir, eu consegui, com a luz acesa, televisão ligada e ouvindo musica, para ter a certeza que o silencio não ia me assustar outra vez. Existem muito mais coisas entre o Céu e a Terra, que possamos imaginar.
Fato ocorrido em 2008.

Andrezza Cordeiro.

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