
Acordei com a grande expectativa que faríamos uma viagem que ficaria marcada em nossas memórias. Podia ouvir meu pai chamando, era hora de acordar. O ar quente que entrava pela janela do meu quarto avisava que seria um dia quente. Conseguia ouvir os passarinhos, que voavam no meu quintal, cantando. Levantei, preparando o corpo para encarar um dia de longa viagem.
Todos já estavam prontos, as malas ali assentadas no porta-mala do carro, a empolgação era o que apresentava nos rostos de cada um. Minha mãe sentada no banco do passageiro e atrás eu e meus irmãos, nos aconchegamos, cada um com seu travesseiro. E o nosso destino era : MINAS GERAIS.
Durante o caminho, a diversão tomava conta do carro, eram músicas cantadas, piadas contadas e brincadeiras, até que o sono chegava de mansinho e abraçava um por um. Apenas meu pai não poderia dormir.
Quando finalmente chegamos em Minas Gerais, minha tia, com um sorriso impossível de não perceber, nos recebia. Pouco tempo depois meu tio chega a cavalo, com o maior carinho. Eu me sentia em casa, o som dos pássaros cantando, a melodia que a água fazia ao tocar as pedras das cachoeiras, era o lugar perfeito para se passar as férias. Tudo forá perfeito, momentos em família que sem dúvidas iam permanecer na história.
Porém, sábado bem cedinho, os passarinhos não cantaram. O vento frio entrava no quarto nos avisando que o dia ia mudar. Naquele café da manhã em família, risadas eram compartilhadas, tentávamos aproveitar ao máximo os últimos momentos ali, fotos tiradas, abraços apertados para, finalmente, a despedida.
A volta foi mais silenciosa e o caminho parecia ser mais distante. A vontade de ter continuado lá por mais um mês, era grande. Todas as vezes que entro no carro é estranho como o sono apega-se a mim muito rápido.
Quando manos esperava, chagamos em casa.Minhas cachorras latiam alto, chamando atenção. Cada um tirava sua própria mala do carro, parecíamos formigas trabalhando em equipe.
Minha casa, minha cama, minha vida, tudo estava nos devidos lugares. Por mais gostoso que seja viajar, nada melhor que nosso lar. O silêncio já havia chegado para todos dormirem.
Eram 23h30 quando o telefone tocam meu primo ligando, passando a notícia, minha tia, aquela que nos recebeu com todo o carinho e amor, tinha falecido. As lágrimas não se conteram dentro dos olhos, não havia um que escapasse daquela dor, a dor da perda de alguém amada.